OUTRAS PUPAS

Outras pupas

13/07/2017

Até amanhã





Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.
É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.
É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.
Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.

Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã


4 comentários:

  1. E o amanhã, chegou.
    Bom dia!

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  2. Primeiro ainda temos o hoje, mas sim, até amanhã que será certamente belo como o descreves.
    Bjs

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  3. Sim, com o nascer do Sol, cada amanhecer é uma promessa de esperança. Vivamos o hoje e o agora, já que a juventude, o vento e as areias são movediços e escorregadios. Escoam-se-nos como a fina areia por entre os dedos.

    Beijocas, querida Noname.

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